terça-feira, 15 de julho de 2008

CAIAQUE À DERIVA.

Por: GUAIANO, Osni Pinto

Naquela época, eu trabalhava no Grupamento Marítimo da Barra da Tijuca e fui convocado para uma escala extra no Gmar - 0 , Botafogo. Iria trabalhar como Guarda-Vidas em uma lancha, patrulhando o litoral, de Copacabana à Barra da Tijuca. Apresentei-me em Botafogo, mas a embarcação não saiu do encoradouro, pois o mar estava de ressaca, impossibilitando qualquer embarcação pequena de sair da boca da Baia de Guanabara. Fui dispensado!
Eu tinha aproximadamente 28 anos de idade e era um tarado por ondas grandes. Após ser dispensado, fui direto para a Barra da Tijuca. Lá chegando, o mar estava de Leste para Sul e peguei grandes e boas ondas em frente ao Apart Hotel Barra Leme. Ao chegar na areia e entrar no Gmar da Barra, certo cidadão entrou no quartel apavorado solicitando ajuda. "Tem um cara no maior sufoco, atrás da linha de arrebentação. Ele esta à deriva entre a Praia de São Conrado e o Costa Azul!"
Naquela área só havia costão ou costeira como muitos chamam (pedras). Nesta área não tem sequer um pedacinho de areia para contar história; e mais, o mar estava de ressaca. Enorme!
Na época, o responsável pela Barra da Tijuca solicitou que eu e um outro Guarda-Vidas, fôssemos executar o resgate. O rapaz levou-nos em seu carro e lá chegando, observei que há mais ou menos trezentos metros do costão daquela área, havia uma pessoa seguro há alguma coisa e quando a ondulação da série passava, afundava, sumia e repentinamente aparecia novamente.
Pequei um só pé de nadadeiras e fui logo descendo pelas pedras, enquanto meu colega de trabalho solicitava mais ajuda. Os pescadores que ali estavam observando o que ocorria, gritavam: "Por favor garoto, não vai não. Você não vai conseguir entrar no mar, está muito grande e perigoso. Você vai morrer!!!" Mas, alguém tinha que fazer alguma coisa, afinal, era uma vida que precisava ser salva! As ondas batiam contra as pedras e explodiam como dinamite. Procurei o melhor local e me posicionei para me resguardar das ondas. Já com a nadadeira no pé, quando deu o primeiro jazigo.
Pronto!!!!! Lancei-me no mar, mergulhei o mais fundo e fui o mais longe que meus pulmões podiam aquentar. Voltei à tona! Respirei e mais uma vez mergulhei o mais fundo e o mais longe que podia. Consegui! Atravessei a zona de impacto das ondas e nadei até onde estava o afogado. Era um rapaz, desesperado! - Calma amigão! Sou Guarda-Vidas e estou aqui para lhe ajudar, fique tranqüilo, lhe disse.
Ele estava se segurando na extremidade de num kaiaque, o qual encheu-se de água, quando ele tentou vencer a linha de arrebentação, zona de impacto das ondas, na praia de São Conrado, ficando a deriva e a mercê do mar bravio, e da correnteza. Alguns minutos depois estava sobrevoando, acima de nós, um helicóptero de cor branca, como uma grande cruz vermelha. Sabia que não era nosso Águia. Logo chegou o nosso fiel Águia e dele pulou um Guarda-Vidas para me ajudar, para nos tirar daquela situação perigosíssima.
Para minha surpresa, o Guarda-Vidas que havia pulado ao mar era meu antigo instrutor e amigo Alencar, Bichinho Danadinho, que ao longo de alguns meses dividiu seu conhecimento com a 1ª Turma de Guarda-Vidas, do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Uma fera dos mares! Logo lançaram do Águia o puçá e nos tiraram daquela situação, colocando-nos em lugar seguro.
Dali de cima me dei conta de que o Elevado estava totalmente parado, nos dois sentidos, e todas aquelas pessoas haviam saído de seus carros para acompanhar o resgate. Elas aplaudiam e gritavam palavras elogiosas. Foi fantástico.
Depois de todo o ocorrido, o Alencar voltou ao Águia e eu voltei à Barra para pegar mais ondas. Afinal, o rapaz estava a salvo e ileso. Porém, uma coisa não podia entender: que tamanha imprudência daquele jovem. Mesmo vendo as condições desfavoráveis do mar, por simples devaneio, por pouco não perdeu a sua vida.

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